Terça-feira, Julho 31, 2007
Tempo ao tempo
Nunca gostei do discurso dos mais velhos, sempre me soou como um ai eu sei por que sou mais velho e você jovem desconhece desta sabedoria...Claro to exagerando um pouco, mas musicalmente sempre fui assim, as coisas que meu pai e minha mãe escutavam eu sempre olhei com uma certa distância, simplesmente abominava a mpb e só escutava músicas em inglês, rock, soul e muito blues, mais muito mesmo. Bentido ao fruto de Chico Science, que me despertou para a música brasileira.
Na música em primeiro lugar é preciso aprender a ouvir, os motivos, as percepções, os detalhes, distinguir, isolar, limitar numa vida própria, depois é necessário um esforço e uma dose de paciência de vontade para suportar certas musicalidades. Inevitavelmente chega o momento em que já nos habituamos as diferente, esquisito e sem sentido, é a partir de então que começamos a nos encantar cada vez mais, aprofundar cada vez mais até o limite, até a exaustão, sempre amando a mesma música, o som, o toque refinado do piano, do pandeiro e do contrabaixo.
Acabo de voltar do show do argentino Fito Paez, ainda estou flutuando, é exatamente o tipo de música que necessitamos de tempo ao tempo, assim como a MPB, o JAZZ e outros, saborear, degustar, língua espanhola, poesia simples e dolorosa de nossa latinidade tudo isso acaba sendo elemento da música.
Sempre acabamos recompensados por nossa boa vontade, nossa paciência, nossa doçura com relação às coisas estranhas, quando o véu destas coisas vão desaparecendo lentamente e nos demonstrando toda sua beleza.
Viva Marcelos, Elises, Marias, Gilbertos, Caetanos, Robertos e Chicos que nos despertam com o tempo. Para quem foi no show e escutou .....
"Sou caipira pira pora Nossa Senhora de Aparecida..." Um viva para Renato Teixeira e Elis Regina.
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Quarta-feira, Julho 25, 2007
Aprenda
Como me insiro no gênero de adolescente, ou no fim da adolescência (na verdade não me importa), tenho visto uma situação se repetir muito por essas épocas. O tal intercâmbio cultural invadiu os sonhos de muitos adolescentes de classe média ou superior, e os anúncios de agências que provém isso enchem os olhos dos mesmos de uma forma impressionante. Digo isso porque fui um desses sonhadores. As agências loucas para enviarem milhares desses adolescentes para viver o tal sonho iludem a todos gritando aos sete ventos que você vai ter milhares de vantagens com a tal viagem, que você vai aprender sobre uma nova cultura, que é uma experiência inesquecivelmente maravilhosa, e todo o blá blá blá pra vender o tal pacote. E uma agência ainda teve a cara de pau de fazer uma propaganda sobre os Estados Unidos que dizia “O povo americano é conhecido por sua generosidade e receptividade, pois está sempre aberto ao aprendizado de novas culturas e entusiasmado em dividir a própria cultura com outros povos”. Quem diabos disse que os Estados Unidos é conhecido por estar aberto ao aprendizado de novas culturas? Ora, francamente!
Bom, falarei de forma breve da MINHA experiência, que com certeza foi única, mas que por debaixo dos panos é praticamente o que muitos vivem só que poucos admitem. Por anos infernizava a vida dos meus pais para fazer o tal intercâmbio que eu via todos os meus amigos fazerem, ou quererem... Tanto faz. Certo é que no fim do ano de 2005 meus pais finalmente cederam, já que iam financiar, e eu fui... Não quis nem esperar a virada do ano, fui logo e passei a virada em Nova York. Todo mundo já ouviu falar que um dos melhores reveillóns do mundo é lá.
Pra ser sincera? MENTIRA! PUUUUUUURA mentira. Esqueçam. É uma porcaria. Milhares de pessoas esperando por HORAS pra ver uma tal de “ball drop” que de ball só pode ser mesmo uma ball de gude de tão pequena ... Um frio estúpido... E quando dá meia noite, depois da bolinha de gude cair e alguns fogos de artifício aparecer pelas frestas dos arranha céus, policiais altamente grossos gritam em alto em bom som: GO HOOOMEEEEEEEEEE ... GO HOMEEEEE. Eu olhei tudo aquilo e pensei: Aonde foi que eu me meti? Meu Deus! Dei um desconto e como todos os outros sonhadores que estavam comigo, não desisti e só esperava pela hora de chegar à casa da família anfitriã. Achava que eles iriam ser super receptivos, super simpáticos, que iriam estar super com vontade de me ensinar da tal cultura deles e aprender sobre a minha. Há-há-há. Doce engano mais uma vez. Quando cheguei a tal família foi me receber no aeroporto... Todo mundo meio assim, um com vergonha do outro. Meu inglês também não era lá essas coisas mas eu me esforçava bastante e no primeiro mês fui dando um desconto e tendo sempre esperanças. Até que lá pelo terceiro mês depois de ter sido furtada dentro do meu quarto na casa, depois de quererem que eu limpasse a cozinha da casa deles todos os dias depois que eu chegasse da escola até a hora de dormir, depois de não ter feito UM AMIGO sequer na escola, cansei e disse: “Pai, mãe, vou voltar.” Como mãe, minha mãe ficou com o coração apertado querendo que eu voltasse, logo meu pai, com o pé mais firme pediu que eu agüentasse até que o ano acabasse porque isso seria muito bom pra mim. Naquela hora não entendi, fiquei chateada e arrasada... Eles diziam que se houvesse algum problema na família era só falar com a coordenadora local do lugar que eu tava que ela me mudaria de família. A tal coordenadora me disse que não tinha nenhum lugar pra me botar e falou: “Agüenta!” Bom... os meses se passaram e para um melhor convívio tive que aprender a ser cínica e engolir tudo o que eu via e ouvia. Já ouvi piadinhas sobre negros dentro da minha casa, sobre países sub-desenvolvidos e todo o blá blá blá ... Sobre mexicanos o tempo todo também! Então eu pensava: isso não parece nem de longe com o que a agência me disse.
Agências sacanas: FALEM A VERDADE! Disseram que iriam me dar suporte, mas nada. NADA. Eu tava sozinha. À mercê da sorte e paciência. Passaram-se os 11 meses e cada dia que se passou só fez com que eu percebesse o quanto eu AMO meu país. Apesar de toda a porqueira que a gente tem aqui, minha gente, esse é o melhor lugar do mundo! É lógico que nem todo brasileiro é igual, mas no geral somos os mais simpáticos, os mais alegres, os menos babacas (meu Deus, americanos são tãããoooooo babacas), os mais bonitos (e somos mesmo... hahaha). E fala sério, depois de tanto tempo, apesar de reclamarmos tanto não conseguimos viver sem o jeitinho brasileiro. Não tenho a mínima inveja de tudo aquilo que eu vi. Vi muito mais gente burra do que eu tinha visto em toda a minha vida aqui no Brasil. Nada de receptivos: eles odeiam estrangeiros. É muito diferente. Foi horrível, odiei, mas faria tudo de novo. Me fez ser hoje em dia outra pessoa e ver o mundo e as pessoas que me cercam de uma outra maneira. Eu amo viajar, adoooooro mesmo! Mas morar no exterior? Nem à pau, Juvenal.
Escrito por Elida Mota- Amiga virtual do Maranhão.
Trilha Sonora: Zeca Baleiro
Dica de Filme: O exército Brancaleone
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Sexta-feira, Julho 20, 2007
Tem culpa eu? Tem culpa tu?
Se o ser humano tivesse alguma essência com certeza teria toses generosas de inquisidor implacável, não interessa o motivo, não interessa o assunto tudo deve ser culpa de alguém, de certa forma despejar efusivamente a culpa no outro dá prazer, alivia, descarrega, portanto todos, eu disse todos adoram e cultuam despejar a culpa nos outros, naturalmente os políticos quase sempre são os preferidos ainda mais os que estão no poder, ou representa o poder. Tudo dentro do script.
O grande problema dessa culpabilidade exarcebada é de cair no ridículo muitas vezes, principalmente pelos agentes da mídia que seriam responsáveis pela informação. O direcionamento da culpa ao vivo na televisão nacional é super perigoso, é maldoso e é perverso. Agora tudo é culpa do Lula, se chove muito, se chove pouco, se o pneu da Kombi furou, se o gato sumiu, se alguém furou a fila, se deu vírus no computador, a guerra do Iraque, tudo, tudo, lá no fundinho é culpa do Lula.
Estava vendo ao vivo a nada tendenciosa Band no momento do desastre aéreo no aeroporto de Congonhas em SP, ao vivo para todo Brasil o pseudojornalista Datena condenava, babava e esbravejava contra as autoridades federais culpando imediatamente as obras e o descaso do governo federal.
Em cada esquina, elevador e jogo de futebol as pessoas estavam babando de raiva contra o governo e contra o descaso de Lula para crise do sistema aéreo nacional!!! Estava julgado e condenado!!!!
ERRADO, hoje abro os jornais e esta lá estampado que é bem provável que o avião da empresa privada TAM estava com defeito e o tal reverso não funcionou!!! E agora José? Cadê os jornalistas babando de raiva contra a empresa? Cadê o povo inflamando contra o presidente da TAM? Vai ter auditoria e CPI da TAM? O Ministério público vai fechar a TAM? Acharemos outros culpados? Os nos confortaremos em por a culpa no Lula novamente?
Trilha Sonora: Marti’Nalia
Dica de Filme: Pecados Íntimos
Dica de leitura: O poder simbólico / Pierre Bourdieu
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
Coisa de gordinha ou poder de mídia repetitiva?
A cena começa assim: uma mega festa psy ou coisa parecida, muitos efeitos de luz, música alta, de repente, blecaute, seguranças com lanternas aparecem na cena em busca da causa do apagão, acham, um carinha com a cara mais lavado do mundo que sai dizendo: "opa, calma pessoal, pra que tudo isso, é rapidinho, ó, ta pronto!"
No plano aparece um microondas e dentro um hamburguer rodando e o micro faz pi, pi, pi ... a criatura abre, pega o hamburguer, saindo até fumacinha, e entra a locução: "chegou o novo hotpocket cheeseburguer, mais rápido, mais prático e irresistível ... e blá, blá, blá ..."
Enfim, nos últimos dias tenho acompanhado os jogos Pan-americanos (coisas que a vantagem de ser uma profissional autonôma e que trabalha em casa me oferece) e em todos os intervalos entre uma prova e outra essa maltida propaganda vai ao ar, e aí me veio a pergunta, a vontade que ando de provar essa porcaria é pelo simples fato de ser coisa de gordinha provar essas novidades ou pelo excesso repetitivo de vezes que ela passa e já "impregnou" na minha cabeça através da mensagem subliminar que esses comerciais trazem??
Devido ao (pouco) conhecimendo e pelo que estudei sobre isso, fico com a segunda opção. Na maioria das vezes, na tentativa de aumentar o desempenho cognitivo com um menor custo interpretativo, ao elaborarem os anúncios, de forma estratégica, é claro, os publicitários usam de estereótipos para atingir objetivos comerciais, que no caso, é despertar o desejo de provar, saber que gosto tem, se é bom, enfim: fazer a criatura sair de casa e ir lá COMPRAR o maldito "xizinho de microondas"!
Mas acabei me perguntando: se um simples comercialzinho de 30 segundos pode provocar isso, o que uma série de outras coisas repetidas imperceptivelmente na vida da gente também não despertam tal desejo? Ou mais, se sabemos que uma coisa repetida infintas vezes causa tal efeito, porque nao usa-se para fins proveitosos?! (Não vou entrar no mérito de citar o tanto de coisa que se poderia fazer ...)
Sim, é um questionamento bobo, algo que adentra as infinitas teorias sobre o poder do pensamento, e das inúmeras linhas filosóficas a respeito do que podemos fazer com a nossa mente ... mas afinal, que poder então os outros podem exercer sobre o nosso próprio pensar?Ou melhor, quem e como exerce tal poder?
Escrito por Renata Dihl-Publicitária
Trilha Sonora: Etta James
Dica de filme:Áta-me
Dica de leitura: O livro dos Abraços- Eduardo Galeano
Contato no msn: amon2100@hotmail.com
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Terça-feira, Julho 17, 2007
Programação de Aniversário do Museu
17/07-Terça-feira 15h Revolução dos Bichos – Revolução Russa - John Stephenson 19:30 Timor Leste: O massacre que o mundo não viu – Documentário sobre o processo de independência do Timor Leste- Lucília Santos
18/07-Quarta-feira 15h Carlota Joaquina – Chegada da Família real portuguesa, Brasil Colônia – Carla Camurati 19:30 Giordano Bruno - – Inquisição – Giuliano Montaldo
19/07-Quinta-feira 15h Diário de Motocicleta – América Latina, Che Guevara – Walter Sales 19:30 Adeus Lênin – Queda do Muro – Wolfgang Becker
20/07-Sexta-feira 15h O incrível exército de Brancaleone – Idade Média – Vitório Gasseman
21/07-Sábado 15h Gandhi – Independência Índia – Richard Attenborough
24/07- Terça-feira 15h Tempos Modernos – Revolução Industrial – Charlie Chaplin 19:30 Um Grito de Liberdade – África do Sul - Richard Attenborough
25/07- Quarta-feira 15h A missão – Grandes Navegações - Roland Joffé 19:30 A Língua das Mariposas – Guerra Civil Espanhola – José Luis Cuerda
26/07-Quinta-feira 15h Danton – Revolução Francesa – Andrzej Wajda 19:30 Educators – Movimentos sociais, Hans Weingartner
27/07-Sexta-feira 15h Mauá – O Imperador e o Rei - 2º Império -Brasil – Sergio Rezende
28/07-Sábado 23h Os Sonhadores – Revoltas estudantis na França em maio de 1968 – Bernardo Bertolucci 02h O Ano que Meus Pais Saíram de Férias – Ditadura Militar-Brasil – Cao Hambúrguer
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Sábado, Julho 14, 2007
Sapo engomado
As vaias ao presidente Lula ontem no Maracanã são a voz exclusiva e intransferível do Rio branco, bem nutrido, e Zona Sul. São as vaias dos eleitores de Garotinho, Rosinha, César Maia e Sérgio Cabral. Só para mencionar os últimos escolhidos dos "politizados" manifestantes do Pan. Sem dúvida uma platéia com aguçado espírito "crítico" e "cidadão".
Já o presidente Lula deve ter aprendido uma lição. Por mais que se esforce para agradar a fatia branca, bem nutrida e "Zona Sul" dos brasileiros, mais esta fatia lhe cuspirá no rosto. Do ponto de vista de classe, o governo Lula faz todas as vontades do andar de cima, mas enquanto o presidente não for inteiramente branco, "de berço", e com perfil "Zona Sul" ele continuará intragável.
Pode-se dizer então que as vaias não aconteceram por motivo político, mas por combinadas razões étnico-estético-comportamental. Ou seja, mesmo que Lula faça a política do príncipe branco, para essa gente, ele sempre será visto como um engomado sapo nordestino.
Retirado do Blog Diário Gauche
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Terça-feira, Julho 10, 2007
Tudo se transforma
Um buraco no centro da cidade, um vazio urbano, vai ser difícil me acostumar com a ausência do Paladino, o retrato da cidade não é mais o mesmo, não adianta, é o progresso da cidade, é muito simbólico, não só para min, mas para algumas gerações desta cidade, afinal estamos falando de 80 anos de história.
Mais do que uma edificação, um campo de futebol ou uma piscina, o clube onde se vive alguma das primeiras experiências, onde a fantasia, a brincadeira e parte de nossa formação infanto-juvenil têm muito de afeto, memórias, saudosismos e nos percebemos carregados destas pequenas histórias.
O Paladino que foi fundado em 20 de abril de 1927 numa alfaiataria na Av José Loureiro da Silva ali pelo número 1334 foi também palco de boa parte da minha vida, quantos mingaus, quantas vezes o Seu Anor liberou a entrada por estar com a mensalidade atrasada, quantas partidas do time da gurizada se disputou ali.O time oficial da gurizada chamava-se Porto, era Eu o Gralha, Digão, Feio, Negão, Marquitos, Miroldo, Lenzi, Camarão, Eduardo, Presunto, Bochecha e o irreverente Loco no gol. Quantas vezes tivemos que dar o “migué” na portaria, pois o time adversário não era sócio do Paladino. Quantas festas do Halloween me diverti usando as mais extravagantes fantasias como de Jackson Five, E.T, caminhoneiro ou do mitológico goleiro Higuita.
As memoráveis férias “atrasadas”, pois, era inútil fugir das recuperações. Neste período, era direto na piscina, todos os dias criávamos musas de pré-adolescência. As tais musas eram divinizadas por toda uma horda de gurizada que "aloprava", seguidamente seu Pedrinho nos deixava de gancho, não mais que alguns minutos. Tempos perfeitos de piscina, paquera e futebol, mais nada!
O mingau era o encerramento da semana e de certa forma era o começo, pois a semana girava em torno do mingau do Paladino, tudo seguia um script meticuloso, as coisas aconteciam perfeitamente, as músicas na sua seqüência quase que natural, quem não dançou o hit “Ma-ma-ma-marina” as mesmas pessoas ficando entre si, as mesmas briguinhas bobas na saída e o seu Anor lá, ascendendo a luz e mandando a galera embora a meia noite em ponto!
Estas são algumas das lembranças do clube, de uma determinada geração, certamente pessoas desta cidade que viveram outros tempos, trazem consigo outro tipo de lembrança, todavia, tenho certeza, todas carregadas de saudade.
Nada se perde, tudo se transforma, como diz o Uruguaio Jorge Drexler, hoje o histórico Paladino vai ceder lugar para o Hipermercado Carrefour e eu me tornei sócio do principal rival futebolístico dos paladinenses, o Clube Esportivo Alvi-Rubro que nasce de uma simples disputa por uma bola velha em 1933, mas essa é mais uma estória da construção da identidade Gravataiense.
Amon Costa - Historiador do Museu Municipal de Gravataí Agostinho Martha
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Segunda-feira, Julho 09, 2007
Filmes da Programação do Aniversário do Museu-
Informações e agendamento: 34842733
Data Horário Filme Horário Filme
10/07- terça-feira 15h Zuzu Algel – Ditadura Militar-Brasil – Sergio Rezende 19:30O Nome da Rosa – Inquisição - Umberto Eco
11/07-Quarta-feira 15h Olga - Era Getúlio Vargas-Brasil – Jayme Monjardim19:30 Machuca – Golpe Militar no Chile – Andrés Wood
12/07-Quinta-feira 15h Lutero – Revolução Luterana – Eric Till 19:30 Hotel Ruanda – Guerra civil África – Terry George
13/07-Sexta-feira 15h Buena Vista Social Club – Documentário sobre a música Cubana – Wim Wenders
14/07-Sábado 15h Cidadão Kane – Anos 30, mídia e poder – Orson Welles 20h Frida – México anos 30 e movimento de surrealismo artistico – Julie Taymor
Segunda-feira que vem eu público o resto da programação!!!
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Sexta-feira, Julho 06, 2007
Projeto Ouviravida
Duzentos e oito alunos participaram da apresentação de final de semestre do Projeto Ouviravida, na noite desta terça-feira (3), na Igreja Santa Rita de Cássia, na Morada do Vale I. A realização é da Prefeitura de Gravataí, através da Fundação Municipal de Arte e Cultura (Fundarc), em parceria com a Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, e tem o patrocínio da empresa Dana.
Familiares, amigos e a comunidade em geral estiveram na paróquia para conferir a apresentação e aplaudiram de pé o desempenho das crianças e adolescentes integrantes do Ouviravida. O programa iniciou com a flauta doce, coordenada pela professora Daniela Fracasso. Foram exibidas as canções Achas que Marisco; Aquarela; Velha Gaita; Carinhoso e Estrela, Estrela. Na seqüência, o professor Marcelo Delacroix comandou uma apresentação com violões, da música Norwegian Wood.
Canto e Percussão
Delacroix, vencedor do Prêmio Açorianos 2007, também é o instrutor das aulas de canto. Na programação as canções Escravos de Jó; Fico assim sem Você; Sombra Fresca e Rock no Quintal; Nuvem Passageira; Hello Goodbye; Paisagem Campestre e Você não sabe o que Perdeu. Por fim, o professor Marcus Lopes comandou a apresentação de percussão, com as músicas Pescador de Ilusões; Felicidade; e uma canção criada pelo próprios alunos, numa mistura de rock, funk e samba.
Novas vagas
As inscrições para as crianças que desejam participar do segundo semestre do Ouviravida iniciam na próxima segunda-feira, dia 9, e seguem até 31 de julho. As vagas são limitadas e nesta oportunidade estão restritas às crianças de faixa etária entre 10 e 14 anos. Interessados devem procurar o local das aulas, no salão da Igreja Santa Rita, na rua Antônio Ficagna, 350 – Morada do Vale I, e levar certidão de nascimento e uma foto 3x4.
Informações do Ouviravida
O Ouviravida atende alunos de 7 a 18 anos, a maioria de Gravataí, mas também de Cachoeirinha e Viamão. O maestro da Ospa, Tiago Flores, é o coordenador geral. A coordenação pedagógica é de Nise Franklin e a local é de Amon Costa.
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Quarta-feira, Julho 04, 2007
Mérito e cotas: dois lados da mesma moeda
Os argumentos de críticos e defensores de políticas afirmativas convergem em um ponto: para ambos, haveria uma oposição entre a instituição da meritocracia como regra para recrutamento acadêmico e a implantação de mecanismos compensatórios, sociais ou raciais.
Os argumentos de críticos e defensores de políticas afirmativas convergem em um ponto: para ambos, haveria uma oposição entre a instituição da meritocracia como regra para recrutamento acadêmico e a implantação de mecanismos compensatórios, sociais ou raciais. Adversários das cotas, retomando uma espécie de retórica da ameaça (Hirschman, 1992) afirmam que sua adoção eliminaria o mérito e o conhecimento prévio, premiando os menos capazes, com efeitos agregados sob a forma de mediocrização universitária.Defensores das cotas subestimam o significado racionalizador de instituições meritocráticas, resumindo a discussão com o argumento de que fins socialmente justos justificam a adoção dos meios necessários para atingi-los.
O equívoco de ambos consiste em não perceber a coerência existente entre meritocracia e a adoção de uma regra de cotas como procedimento para a ocupação de vagas universitárias. Em suas origens, meritocracia surge como alternativa ao status herdado pelo nascimento como critério para ocupação de postos públicos. Trata-se de substituir ascription por achievement, premiando a capacidade individual e não o berço na configuração da
hierarquia social. A ironia é que vantagens adscritivas foram capazes de adaptar-se às novas regras impostas pela individualização das sociedades modernas, reconvertendo capital econômico e social familiar, em capital escolar (Bourdieu, 1989, Boltanski, 1982). Investindo, desde o ensino fundamental, na formação escolar de seus herdeiros, famílias bem providas asseguram sua continuidade no interior das instituições universitárias de maior prestígio e qualidade, que oferecem títulos e diplomas mais valorizados no mercado, reproduzindo hierarquias plutocráticas dissimuladas em capacidade intelectual individual.
A conversão de exames vestibulares em simulacros de mérito individual não deve induzir-nos ao desprezo pela relevância de regras meritocráticas, como condição para o estabelecimento de instituições racionais e impessoais. Trata-se de controlar as distorções provocadas pela origem social, neutralizando o efeito path-dependent berço=diploma=renda.
John Rawls, o maior expoente do liberalismo político do século XX, ao apresentar sua concepção de justiça como eqüidade, ressalta que as desigualdades sociais e econômicas para serem aceitáveis, devem satisfazer duas condições: estar ligadas a posições abertas a todos, segundo condições de igualdade de oportunidades, e, beneficiar aos membros menos favorecidos da sociedade (Rawls, 1971). Quem quer ser liberal, que ao menos seja coerente, e honre o significado desta consigna.
Meritocracia constitui um sistema distributivo, que confere de modo desigual vagas e títulos universitários, premiando a capacidade, responsabilidade e talento individuais. Para que seja justo, é preciso que esteja baseado em uma efetiva igualdade de oportunidades, julgando apenas o esforço e competência individual, e não o sobrenome (o que, parece óbvio, não constitui mérito próprio). Desta forma, instituir um sistema de cotas é a alternativa eficaz e racional para assegurar um indispensável critério meritocrático, como procedimento para o recrutamento aos bancos universitários.
A probabilidade de um branco ingressar na universidade é, no Brasil, 137 vezes superior a de um negro. O percentual de negros com diploma universitário hoje no Brasil equivale ao dos Estados Unidos dos anos 40, quando leis segregacionistas estaduais impediam negros de frequentar, como alunos, universidades para brancos. Equivale ao percentual de negros com diploma na África do Sul, durante o apartheid (PNUD, 2005). Frente a estes números, questionar se existe racismo ou se a implantação de cotas raciais poderia introduzir o racismo no Brasil, é um modo de tergiversar sobre o problema. Na ausência de oportunidades e de mobilidade social reais, conflitos raciais estão presentes da pior forma possível, traduzidos nos indicadores de violência e criminalidade, enquanto nossa classe média vive seu Baile da Ilha Fiscal, falando em harmonia racial e talento individual.
Políticas afirmativas devem oferecer oportunidades de mobilidade social inter-geracional, projetando as condições para a constituição de uma ampla classe média negra, que incremente uma economia de mercado no Brasil. Trata-se de ir além da hipocrisia de falar em cursos técnicos e profissionalizantes para jovens pobres e negros, como se fosse suficiente oferecer a estes a auspiciosa perspectiva de serem, no futuro, balconistas, garçons ou recepcionistas. Teremos harmonia racial quando for corriqueiro consultar-nos com médicos negros, sermos julgados por magistrados negros, dirigidos por executivos negros e ensinados por professores negros. Mas, talvez, seja isso precisamente que amedronta nossa classe média.
Escrito por André Marenco PPG Ciência Política-UFRGS
Trilha Sonora: Stevie Wonder
Dica de Filme: Babel
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Segunda-feira, Julho 02, 2007

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