Quarta-feira, Junho 27, 2007
Lembrando que no próximo fim de semana dias 30/06 e 01/07, estará acontecendo o Congresso Municipal do PT, na nova sede do Clube Veterano, na pda. 69. O credenciamento para o Congresso será no sábado das 9h até as 15h.
A tese a qual subscrevo é a Tese 5, denominada Mensagem ao Partido: O PT e a Revolução Democrática, mas estão circulando inúmeras outras. O debate está aberto. Basta que participemos.
maiores informações:
www.mensagemaopartido.org.br
www.democraciasocialista.org.br
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Segunda-feira, Junho 25, 2007
Geração pós-moderna
A pós-modernidade não nega a modernidade; antes, celebra suas conquistas, como o positivismo entranhado nas ciências, a razão tecnocientífica a pontificar sobre a intuição e a inteligência, o triunfo do capitalismo em suas versões neoliberal e, agora, neofascista, contrapondo, por via da guerra, o fundamentalismo econômico ¿ o capital como valor supremo ¿ ao fundamentalismo religioso.
Frente ao darwinismo socioeconômico, a cultura mergulha em profunda crise. Os valores monetários do mercado se sobrepõem aos valores morais da ética. Os grandes relatos se calam, a história como processo se desacelera, as ideologias críticas agonizam. O futuro recua perante o imperativo de perenização do presente. Tudo se congela nessa idéia absurda de que a vida é ¿aqui e agora¿. A velhice é encarada como doença e a morte como abominação. A felicidade é reduzida à soma de prazeres e os bens finitos mais cobiçados que os infinitos.
Sabe-se o que não se quer, não o que se quer. As utopias ruíram com o Muro de Berlim. Maio de 68 não logrou expandir-se além das fronteiras do corpo liberto do peso da culpa. Os projetos revolucionários quedaram como a estampa do Che pregada na parede ou reproduzida na camiseta. ¿E há tempos nem os santos têm ao certo / a medida da maldade. / Há tempos são os jovens que adoecem. / Há tempos o encanto está ausente. / E há ferrugem nos sorrisos. / E só o acaso estende os braços / a quem procura abrigo e proteção¿, canta Renato Russo.
Hegel nos ensinou a pensar a realidade e seu discípulo, Marx, a transformá-la. Esqueceram-se do ensinamento bíblico de que é preciso mudar o coração de pedra em coração de carne. O novo, na ciência e na técnica, não fez novo o coração humano, agora assolado pelo sentimento de impotência, de fatalismo, de cinismo. É a cultura do grande vazio respirada pelos jovens de hoje. Caminham de Prometeu a Narciso e, no meio do percurso, deixam à margem o heroísmo de Sísifo. Não lhes importa que a pedra role ladeira abaixo, importa é desfrutar da vida.
Capitulados diante das exigências de construir o novo, olvidados Hegel e Marx, as mudanças históricas sonhadas por minha geração de 68 agora se resumem ao corpo, à moda, aos gostos e caprichos individuais. Na prateleira, a literatura libertária é substituída por esoterismo, astrologia e auto-ajuda. Já que a sociedade é imutável, há que desfrutá-la. E já que não se pode mudar o mundo, ao menos há que encontrar terapias literárias que sirvam de vacina contra um profundo sentimento de frustração e derrota.
Na ânsia de eternizar o presente, buscam-se artifícios que prolonguem a vida: malhação, dietas, vitaminas, cirurgias estéticas etc. Urge manter-se eternamente jovem. Velhice, rugas, obesidade, cabelos brancos, músculos flácidos, perda de vigor juvenil e beleza física, eis os fantasmas que amedrontam a alma lúdica, luxuriosa, de quem não sabe o rumo a imprimir à existência. Como apregoa o Manifesto Hedonista (E. Guisan, 1990), ¿o gozo é o alfa e o ômega, o princípio e o fim¿.
Privatiza-se o existir, encerra-se num individualismo que se gaba de sua indiferença frente aos dramas alheios, e predomina a insensibilidade às questões coletivas. A ética cede lugar à estética. A política é encarada com nojo e, a vida, como um videoclipe anabolizado por dinheiro, fama e beleza.
Surge a primeira geração sem culpa, despolitizada de compromissos, repleta de jovens entediados, céticos, insatisfeitos, fragmentados. Geração de reduzida capacidade de maravilhar-se, entusiasmar-se, comprometer-se. Uma geração desencantada: ¿Vivo en el número siete, / calle Melancolia, / quiero mudarme hace años / al barrio de la alegria. / Pero siempre que lo intento, / ha salido ya el tranvía / y en la escalera me siento, / a silbar mi melodia¿ (J. Sabina).
Agora cada um tem a sua verdade e ninguém se incomoda com a verdade do outro. Nem se deixa questionar por ela. O diálogo face a face é descartado em favor do diálogo virtual via Internet, onde cada parceiro pode fingir o que não é e disfarçar sua baixa auto-estima. Nas relações pessoais, inverte-se o itinerário de minha geração, que ia do amor ao sexo; agora, vai-se do sexo ao sexo, na esperança de que, súbito, desponte o milagre do amor.
Nesse nebuloso mundo pós-moderno, a visão é obscurecida. Perde-se a dimensão da floresta, avista-se apenas uma ou outra árvore. Assim, fica-se indignado com a violência urbana e clama-se pela redução da maioridade penal e pela pena de morte. Quem se indigna com a violência estrutural de uma nação que condena milhões de jovens à desescolarização precoce e ao desemprego?
Vale de (mau) exemplo a Justiça de Bush, que condenou a 100 anos de prisão o soldado que, no Iraque, estuprou e matou uma jovem de 14 anos. Enquanto isso, a chuva de bombas made in USA tira a vida de 700 mil iraquianos, sem distinguir inocentes, crianças e idosos. Quem haverá de pagar por tamanha atrocidade?
* Frei Betto é escritor; autor de ¿Treze contos diabólicos e um angélico¿ (Planeta), entre outros livros.
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Sexta-feira, Junho 22, 2007
Determinismo é Fantástico
Uma das frases mais bonitas que já ouvi, e não me pergunte quem é o autor, pois não lembro, é a seguinte: ¿desconfie daqueles que têm certeza¿. Pois nesse programa dominical, o Fantástico, que raramente assisto, eles colocaram um cidadão, Max Gehringer ¿ acho que esse é o nome do figura - pra dizer que nós somos pessoas com o futuro marcado, verdadeiros párias na concepção hinduísta. A bobagem travestida de matéria jornalística, ou de auto-ajuda televisiva, mostrava quem tem perfil pra ser patrão, e quem deve se contentar em ser empregado. O nome do quadro acho que é ¿Emprego de A a Z¿.
O nosso guru do RH começa dizendo que ¿ser dono ou empregado não é uma questão de escolha, é uma questão de vocação¿. Ora, ou ando lendo os livros errados, ou o determinismo genético, geográfico e histórico voltaram a valer na sociedade moderna. Qual será o próximo passo, usar a fenologia para medir o crânio de possíveis malfeitores? Dentro dessa mentalidade colonialista e burguesa ele afirma que por mais que você estude, se especialize e corra atrás, se você não nasceu com um dom especial de liderança, uma espécie de super-poder, você estará fadado ao fracasso. Teorias de Schopenhauer, Nietzsche, Diderot, Descartes, Sartre, Camus, só pra citar alguns famosos teóricos que passaram a afirmar que o ser humano é capaz de escolher aquilo que deseja ser, que é capaz de mudar, de pensar e agir diferente do lugar-comum e do seu ¿karma existencial¿ estão completamente erradas segundo o grande filósofo televisivo. Enfim, segundo nosso amigo manda quem pode, obedece quem precisa e não têm condições de almejar algo melhor.
O mais legal é que o disparate continua, e o cidadão que está em casa assistindo o programa, com seu dinheiro na poupança pra abrir um negócio, se levar os ¿ensinamentos¿ de nosso papa empresarial a sério voltaria a viver, quem sabe, na idade média da gestão empresarial. ¿Se você gosta de trabalhar em grupo e ouvir opinião de outras pessoas, então você é empregado. Se gosta de decidir tudo sozinho e não aceita palpites, então você nasceu para ser dono¿, disse nosso profeta. Bueno, é de conhecimento de todos que as novas gestões empresariais e que os MBA´s da vida ensinam exatamente o contrário, que o diálogo, o trabalho em grupo, saber ouvir opiniões fazem parte do trabalho do líder moderno. Também não precisaria citar aqui, mas vou, líderes desse estilo retrógrado e estereotipado que prega Gehringer. Caras como Stalin, Hitler, Franco, Pinochet são exemplos de líderes perfeitos desse modelo, e olha só no que deu seus governos.
A frase final da tortura transmitida em horário nobre é a seguinte: ¿Se você tem dúvidas sobre se tornar ou não dono de um negócio, então você nasceu para ser empregado. Quem é dono não tem dúvidas, apenas certezas¿. Levando para o lado um pouco mais filosófico, foi exatamente a dúvida que nos deu tudo que nossa sociedade criou, sejam coisas concretas ou metafísicas. Foi duvidando que caminhar quilômetros carregando um cesto que nos fez inventar a roda. Por duvidar que o galo que fazia com que o sol nascesse que se iniciaram os estudos astronômicos, e por duvidar de teses medievalistas que Renè Descartes, outra vez cito ele, decidiu procurar um novo método para o desenvolvimento do pensamento e da ciência, dando origem ao método científico usado até hoje.
Coisas bisonhas como essa do Fantástico não têm outro propósito senão subjugar ainda mais os brasileiros numa mentalidade colonialista e conformista da pior espécie. Se não temos competência para empreender resta a nós servir, obedecer, e deste modo não ousar, não pensar diferente, não sonhar com um futuro melhor. Enquanto isso os norte-americanos, que podem ser acusados de qualquer coisa menos de conformistas quando o assunto é dinheiro, adoram livros, filmes e programas de TV baseados nas histórias de pessoas que saíram do nada, perseguiram seus sonhos e com isso mudaram a sua realidade e, muitas vezes, o mundo a seu redor. Desde nosso ¿achamento¿ em 1500 fazemos exatamente o oposto.
Escrito por Euclides Bitelo ¿ Jornalista
Filme: A Grande Trapaça
Música: David Bowie ¿ Changes
Livro: Discurso sobre o método ¿ Renè Descartes
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Quinta-feira, Junho 21, 2007
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Es lo único que te pido al menos hoy
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Afuera se irán la pena y el dolor
Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán
Y ya, ya veras, bebamos y emborrachemos la ciudad
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Es lo único que te pido al menos hoy
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Y que se enciendan las luces de este amor
Y ya veras, como se transforma el aire del lugar
Y ya veras, que no necesitaremos nada mas
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Que ayer no tuve un buen día, por favor
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Que si me das alegría estoy mejor
Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán
Y ya veras, que no necesitaremos nada mas
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Es lo único que te pido al menos hoy
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Afuera se irán la pena y el dolor
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Y dale alegría, alegría a mi corazon (nena)
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Segunda-feira, Junho 18, 2007
Qual é o limite?
Assaltos, estupros, massacres, genocídios. Assim caminha a humanidade. Haverá Limites? Estaremos todos anestesiados? A morte pela violência já não sensibiliza...
Centenas de milhares de vidas ceifadas... Um fato corriqueiro, um número. São os estertores de um sistema putrefato.
Iraque, Afeganistão, Palestina...
É o ocaso de um sistema podre que não oferece mais nada. África dizimada pela fome e pela doença. Olhe-se no espelho...
É o crepúsculo de um sistema que não aceita caminhara sozinho para o ralo. O aluno que dispara contra os colegas. O recado está dado!
Salve-se quem puder, mas eis que ele surge alvo e radioso, para nos honrar com a sua presença. A ele, santificadas seja, as iguarias que poderiam saciar a quem tem fome, a quem tem sede. A ele, leitos de seda. Confortar quem? A ele primeiro. Ele é único?
Olhem para Meca e abençoem Somália. Mirem Israel e guardem suas gravatas. É isso que nos reserva a religião?
Alguém já escreveu antes e eu repito.
O capitalismo matou os anjos!!! Agora são os demônios que falam em nome de deus!
Escrito por George Bourdoukan.
Trilha Sonora: AC/DC
Dica de Filme: Zuzu Angel
Leitura: O apanhador do campo de centeio
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Sábado, Junho 16, 2007
O que eles tem a nos dizer?
Último e-mail recebido de Betho Costa.
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Quinta-feira, Junho 14, 2007
Um cara matou meu tio
O título acima pode parecer uma brincadeira com nome de filme nacional, porém não faz parte de nenhuma brincadeira. Na última Segunda feira acabei virando uma das milhares de pessoas do Brasil que tem a família vitima da brutal violência que assombra o Brasil e o mundo.
Meu tio querido, Roberto Souza da Costa, o famoso Betho Costa foi brutalmente e covardemente assassinado a golpes de martelo em plena luz do dia, dentro da própria casa na cidade de Florianópolis. Tudo isso por um carro, uma maquina fotográfica e um computador.
O tio Betho era mais ou menos como um herói, um daqueles tios que tu idolatra, imagina! Músico, pintor, escultor, desenhista, fotografo, moderno, descolado, sim só coisas boas umas daquelas pessoas que tu tens que conhecer na vida, sim esse cara foi banido da vida terrena.
Bom, muita gente já passou por isso na vida, mas falo aqui para os que não passaram, a dor e o sofrimento são imensuráveis, uma angustia que mora no peito e que tira o sono e a fome, uma sensação de impotência, de futilidade e uma crise existencial sem precedentes. Uma incredulidade, aquilo que estou passando parece não ter acontecido, violência gratuita, assim distribuída aos montes.
Estou tentando com todas as minhas forças e crenças me agarrarem coisas boas, em sentimentos do bem, em recordações boas do tio Betho. Em nenhum momento penso em sentimentos de vingança, raiva e destruição.
Betho era fotografo, Betho será imortalizado por cada pessoa que foi clicada, por cada momento que ele eternizou com suas lentes, cada turista que comprou seus postais, cada amor que estava longe e o recebeu como uma imagem a ser recordada, Betho será eternizado pelo sorriso e pela alegria de viver. O cara que me apresentou o Jamiroquai, ocara que desenhou minha tatuagem, o cara que me emprestava o carro, o cara que me ensinou a perceber os detalhes perfeitos da vida numa imagem, um ser humano insubstituível.
Sim, alguém matou o meu tio, sim a violência existe e não é coisa só do linha direta!!!
Amon Costa

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Sábado, Junho 09, 2007
Hoje, dia 8 de junho, vivi uma experiência que gerou um dar-se conta muito assustador. Eu, colorada fanática, e mais a minha família também colorada, exceto meu marido, fomos todos ao estádio Olímpico buscar sua tão esperada carteirinha de sócio gremista. Entrar junto ao estacionamento do Grêmio, para nossa família, uma experiência raríssima, e para ele, emocionante. Meu irmão, no volante, antes de chegar na entrada do estacionamento tirou seu chapéu de ¿Colorado Campeão do Mundo¿, e mesmo sendo colorado fanático, disse: ¿vou respeitar¿. Deixou o chapéu no colo, entrou e estacionou. Enquanto minha mãe ia ao banco com minha filha de 3 anos, meu marido desceu do carro para buscar sua carteirinha, e eu e meu irmão ficamos ali esperando. Não havia passado nem 2 minutos, aproximou-se um funcionário do Grêmio e avisou-nos que escondêssemos o chapéu e aconselhou que meu irmão tirasse aquela roupa vermelha (um casaco qualquer que simplesmente era vermelho). Ora, o chapéu já estava guardado, fiquei curiosa de pensar como o homem sabia que havia um chapéu do Inter dentro daquele carro. Foi aí que ele disse:¿tem uma gurizada ali no bar (e apontou para a rua, fora do estádio), querendo apedrejar e quebrar o carro de vocês.¿ Entrei em pânico. Simplesmente toda a minha família dentro do carro, incluindo criança, e um grupo considerável de pessoas do lado de fora querendo briga. Nem ao certo deu um tempo para ligarmos para o meu marido andar logo, apareceu um rapaz de uns 17 ou 18 anos, dizendo que os amigos dele estavam ameaçando acabar com nosso carro (detalhe: conosco dentro). Foi aí que meu ¿falador¿ desembestou: ¿moço, ele já tirou o chapéu antes de entrar, tirou o casaco vermelho, minha filha está aí dentro do Olímpico e tem só 3 anos, meu marido é gremista doente e nós só estamos aqui porque ele veio buscar o raio da carteirinha!¿ E o rapaz voltou a dizer: ¿eles estão muito indignados, são da organizada do Grêmio e já estão cheios de coisa na mão, eu estou tentando convencê-los a não fazer nada com vocês, mas cuidem!¿ A minha maior preocupação era que não havia como sair dali sem passar na frente desse bar. Liguei para o meu marido e ele veio logo, junto com a minha mãe e minha filha, que não estavam entendendo nada. Eu não sabia se ligava pra polícia, se pedia escolta da segurança do Olímpico, enfim, só pensava naquele monte de gente vindo pra cima de nós com a minha filha junto. Mas ao mesmo tempo que minha família estava chegando no carro, o mesmo funcionário do Grêmio passou a informação no rádio e orientou-nos a sair por um outro portão (que estava fechado), e teríamos que dar a volta ao Olímpico para sair em outra rua. Nós agradecemos muito a atenção dele, e eu só consegui respirar quando tive certeza que nenhuma surpresa nos aguardaria neste outro portão. Meu coração batia muito forte, e as primeiras coisas que consegui pensar, foi na rapidez e eficiência da segurança do estádio que está de parabéns, na consciência daquele rapaz, que, mesmo inserido naquele grupo, tinha discernimento da insensatez dos outros, e neste grupo de jovens em si. Ao pé da letra o futebol deveria gerar prazer no sentido esportivo da palavra e todas as virtudes que qualquer esporte deveria trazer. Um torcedor de um clube, mesmo vivendo em disputas com outras torcidas, deveria lembrar que ele só se denomina colorado ou gremista, porque existe um esporte chamado futebol. Nessas horas percebe-se que torcer por um time, pode virar fundamentalismo. Ser A ou ser B, pode ser motivo de agressão, de violência e destruição. Rivalidade? Não, isso não é rivalidade, é ignorância, violência e descontrole. A rivalidade colorada e gremista pode existir sim, mas o corpo, a vida e a integridade física das pessoas deveriam ser mais importantes do que o time que se torce. Será que passar na Carlos Barbosa de roupa vermelha é estar na faixa de Gaza? Quem no Brasil se atreve a criticar o fundamentalismo islâmico? Lá a violência territorial é em nome de Alá, e aqui? Em nome do futebol? Disputas territoriais brasileiras violentas costumam ser em nome do tráfico, mas Porto Alegre, em nome do futebol, é novidade! Violência cega e irracional, agressão gratuita, desnecessária. Estes são os torcedores que causam desserviço ao futebol, independente de qual for o time. Estes são os torcedores que não merecem títulos para seus clubes, pois o que menos importa, é o futebol de seu time. Minha filha ainda não sabe se é gremista ou colorada, mas até lá, espero que demore tempo suficiente para que as torcidas tenham evoluído um pouco mais, e aí sim, poder ir à um estádio a qualquer hora e sem medo.
Ecrito por: Ingrid Wink, é socióloga e mora em Gravatai
Trilha Sonora: Jorge Drexler
Dica de Filme: Sherek Terceiro
Contato no msn: amon2100@hotmail.com
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Terça-feira, Junho 05, 2007
Da Veja para Contigo é um passo...
A maneira que Veja, por pressa ou por outro interesse, divulgou a matéria de capa da semana anterior, com denúncias contra o presidente do Senado Renan Calheiros mostra a maneira perigosa que vem se fazendo jornalismo no país. Há tempos a publicação semanal já vem perdendo espaço para outras publicações e para a internet, principalmente para blogs e sites de mídia alternativa, que em sua maioria pelo menos têm a coragem de dizer de que lado estão.
Pois, uma leitura mais apressada do texto sobre as ligações de Calheiros com o lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, pode até levar a indignação, a sensação aquela de que nós, brasileiros, já estamos tão acostumados: cacete, nos fuderam novamente. Só que uma leitura mais calma, e por que não técnica, mostra que a redação do jornalista da Veja não passa de um punhado de inconsistências, que desembocam no mais rasteiro jornalismo marrom, ou amarelo, alias, comum a nossa já um dia tão respeitada revista. A matéria não apresenta nenhum documento, nenhuma prova, nada definitivo, desembocando em pura fofoca, puro nhem-nhem-nhem, pra usar o termo consagrado por um antigo presidente. Somente na terça-feira, a revista foi entregue na sexta, 25 de maio, soube-se que quem vazou as informações foi o advogado da jornalista Mônica Veloso, que tem um filho com o senador, e que até agora não explicou direito o motivo de divulgar algo que aparentemente vai contra os interesses de sua cliente.
Como Veja publicou a história sem provas, e sem nenhuma fonte que a confirmasse, a capa ¿bombástica¿ da revista serviu muito mais para atrapalhar as investigações do que para esclarecer algo. Talvez se tivesse esperado uma semaninha só teriam levado Calheiros à forca. Mas como ¿se¿ não existe, jamais saberemos, e a grande revelação ficou parecendo mero gosip de revistas como Contigo e congêneres, já que apenas mostrou um caso extraconjugal do parlamentar, que por sinal, em nada diz respeito a quem quer que seja. Como observador do cotidiano, até por não ter capacidade de fazer algo mais científico ou filosófico, percebo que foi exatamente o que ocorreu, pois na academia que freqüento não se falava em outra coisa. Não sobre a corrupção, esse assunto já por demais banal, mas sobre como Calheiros conseguiu ¿comer aquela gostosa¿, ou ¿que burro, traiu a mulher e fez um filho na outra¿, enfim, mais uma vez o que interessou ao público foi a novela estilho dramalhão, e não a novela policial.
Ps: Uma matéria passou meio despercebida nos jornais ditos sérios de domingo, pelo menos nos que tive acesso, a Folha de São Paulo e o Estadão. No Estado de São Paulo, até que foi capa, mas não rendeu muito bafafá o texto divulgado pelo TSE mostrando que 28 dos 42 membros da Comissão Mista de Orçamento do Congresso, de onde saem a maioria das verbas e emendas parlamentares, têm ligação com empreiteiras ou receberam doações em suas campanhas. Na Folha de São Paulo a notícia não mereceu capa, mas estava lá no caderno de política. Isso mostra que 55% dos deputados e senadores que escolhem o destino da grana de nossos impostos têm tendências a aceitar o lobby de empreiteiros. Isso é muito grave, gravíssimo até, mas parece que estamos mais preocupados em saber ¿como Renan Calheiros conseguiu comer aquela gostosa¿.
Ecrito por Euclides Bitelo- Jornalista
Trilah Sonora: Vagabound ¿ Henry Salvador
Dica de Filme: Todos os Homens do Presidente (pro pessoal da Veja aprender a fazer jornalismo)
Livro para ler: Os Caminhos do Poder ¿ Noam Chomsky
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Sexta-feira, Junho 01, 2007
OCUPAÇÃO DA REITORIA DA USP: EU APÓIO!
Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
(Chico Buarque, Quem Te Viu, Quem Te Vê)
Termine como terminar a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo por estudantes, o grande perdedor, claro, é o governador José Serra, que começou sua trajetória política como presidente da União Nacional dos Estudantes e agora repete as práticas autoritárias do ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho.
A atitude de tratar protestos justificados como caso de polícia parecia estar destinada à lata de lixo da História (bem como, aliás, quase todo o ¿legado¿ do regime militar). Foi estarrecedora a decisão de Serra, de erigir a Polícia Militar em sua ¿negociadora¿ com os estudantes.
Os estudantes ocuparam a reitoria no último dia 3, reagindo a um decreto promulgado pelo Governo do Estado que altera a estrutura das universidades públicas estaduais. O educador Antonio Carlos Robert Moraes critica a medida sob vários ângulos:
· não constava do programa de governo de Serra, nem foi levantada em sua campanha eleitoral;
· não houve discussões prévias com a comunidade uspiana;
· sua necessidade para aprimoramento do ensino é das mais discutíveis no caso da USP, que estava mantendo a excelência de sua produção acadêmica e vinha expandindo vagas;
· além de aparentemente desnecessário, o decreto continha graves lacunas e imprecisões, só sanadas com as alterações efetuadas depois da promulgação.
Geralmente os governos autoritários preferem enfiar pela goela abaixo todo tipo de autoritarismo através de leis, normas e invenções, porém assim como a 40 anos atrás os estudantes, funcionários e professores conscientes não deixarão.
Texto montado por relatos em comunidades orkutianas
Trilha Sonora: Gerson King Combo
Dica de Filme: Bicco- UM grito de Liberdade
Contato no MNS: amon2100@hotmail.com
posted by AMON DA COSTA
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